quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Há algo de Novo...

    Confesso que as vezes sinto vergonha de mim mesmo, acho que sou ingênuo, excessivamente otimista, algo de esperançoso. Eu achava que a política brasileira estava no fundo do poço, não apenas com os senhores que ocupam cargos eletivos, mas com os "pensadores" que fazem o papel de ideólogos em alguns Partidos. Na minha vã esperança, eu achava que quando a nossa direita tivesse voz e partido surgiriam grandes personalidades, gente do mais alto calibre intelectual, que valeria a pena ser lida, debatida, que traria questões pertinentes, bem formuladas. Ledo engano, quando a direita política propriamente dita finalmente surge materializa-se intelectualmente na forma de excrescências como essa gente que escreve no Blog do Partido Novo.
    Todos os textos postados neste blog são horríveis, as ciências políticas e econômicas sequer são tocadas, tudo parece ter saído da cabeça de pré-adolescentes que nada entendem do mundo, mas que tem muita vontade de mostrar aos amigos que fazem parte do grupo, que compartilham as opiniões necessárias para participar da brincadeira.
    Como disse, todos os textos são igualmente horríveis, mas como não tenho tempo de analisar todos, escolhi um que é especialmente sintomático, chama-se Minha cor não define minha opinião, e foi escrita por uma tal de Deborah Bizarria que, segundo informação no fim do texto, é estudante de economia na Universidade Federal de Pernambuco.
    O texto é um tanto confuso, mas, aparentemente, tenta ser uma resposta àqueles que acham que o pensamento, as ideias, enfim, o julgar o mundo é racialmente determinado. Para negar isso, a autora nos brinda com a brilhante ideia de que os únicos critérios que uma pessoa deve ter na escolha "do seu caminho" são sua aptidão e seu desejo.
   É impressionante como o indivíduo que brota no texto não é um ser humano como conhecemos, que, para citar livremente o filósofo protestante Soren Kierkegaard, tem história, é ele mesmo e o gênero humano, mas um Adão, um "homo Pelagianus", em bom latim macarrônico, cuja consciência não é influenciada pelas diversas experiências que teve durante a vida, ou pelo ponto de partida para essa vida, mas um ente cósmico, que paira sobre o mundo e que pode, a qualquer momento, decidir que rumo tomar, o que fazer, o que e como pensar e até que profissão seguir e nada pode impedi-lo, porque deve estar dotado, presumo eu de "livre iniciativa", "empreendedorismo", ou algum outro super-poder-classe-média.
   Claro que ninguém precisa concordar que a raça "define" algo, até porque, isso é uma posição extremista tão desprovida de sentido quanto achar que o "sofrer racismo" não influência de forma alguma a consciência e o ver o mundo de um determinado indivíduo, como a autora do texto sugere. Aliás, a autora, aparentemente, acha que "sofrer racismo" é uma impossibilidade no Brasil, já que "somos uma nação de mestiços" e ninguém sabe direito quem é preto e quem é branco.
Risível.


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